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Alérgicos ao leite e ao ovo: vacinar?

Notícias - 19 de Janeiro de 2017

A vacinação de indivíduos alérgicos ao ovo e/ou ao leite é motivo de preocupação pelo risco de reação de hipersensibilidade com a aplicação de vacinas que apresentem na composição derivados desses alimentos. Embora as reações de hipersensibilidade a vacinas ocorram raramente, recomenda-se que medicação, equipamentos e profissional da saúde habilitado a tratar anafilaxia estejam disponíveis no local onde são administradas as vacinas.
A alergia ao ovo está associada a componentes da clara, como a ovoalmbumina. A alergia ocorre quando as proteínas (alérgenos) são reconhecidas pelo hospedeiro como “estranhas”, desencadeando uma resposta do sistema imune.

As vacinas cultivadas em material derivado de ovos embrionados são: Febre amarela, influenza (gripe) e tríplice viral (SCR).
Estudos atuais indicam que crianças com alergia ao ovo, mesmo aquelas com reações de hipersensibilidade graves, são de baixo risco para desenvolver reação anafilática à vacina tríplice viral isolada (SCR)ou combinada (Tetra Viral, com Varicela). Portanto, crianças com alergia ao ovo podem e devem receber as vacinas triplice viral (SCR) ou tetra viral (SCRV), sem necessidade de precauções especiais.

Em relação à vacina da gripe, o risco de reação alérgica depende da quantidade de proteína (ovoalbumina) presente na vacina. As vacinas atuais de influenza contém menos de 0,7 micrograma de ovoalbumina por dose de 0,5ml, considerada uma quantidade proteica insuficiente para desencadear uma reação alérgica. Ocasionalmente, alguns pacientes desenvolveram reação alérgica leve (urticária ou discreta sibilância, “chiado no peito”). No entanto, a frequência dessas reações foi semelhante em pacientes-controle sem alergia ao ovo.

Atualmente, existem claras evidências de que a vacina influenza (gripe) pode ser administrada com segurança em pacientes com alergia ao ovo, e assim possa protegê-los de uma doença que causa milhares de hospitalizações e mortes todos os anos. O risco de não vacinar esses pacientes claramente excede o risco da vacinação. Nos pacientes com anafilaxia ao ovo, constatou-se que não é necessário realizar testes com a vacina ou aplicá-la em doses fracionadas, mas recomenda-se observar o paciente por 30 minutos, com pessoal habilitado para reconhecer e tratar eventuais reações.

A vacina febre amarela, por conter maior quantidade de proteínas derivadas do ovo, é contraindicada para pacientes que apresentam história prévia de reação anafilática a ovo. No entanto, em situações de risco elevado para febre amarela, os indivíduos com história de hipersensibilidade leve ou moderada ao ovo de galinha e seus derivados devem recebê-la em serviços capacitados para o atendimento de reações de hipersensibilidade aguda. No caso de reação de hipersensibilidade desencadeada pela vacina da febre amarela, há contraindicação para doses subsequentes.

A associação entre alergia ao leite e vacinas já não é tão evidente quanto à relacionada à alergia ao ovo. Considerando que esse tipo de alergia alimentar é mais comum na infância, com prevalência variável de 2-6%, predominando no primeiro ano de vida, pode-se deduzir que a maioria das vacinas utilizadas não apresenta na composição proteínas derivadas do leite, caso contrário, ter-se-ia maior número de reações de hipersensibilidade notificadas.

Em 2009, na Argentina, foram registrados 4 casos de anafilaxia grave após vacinação com pólio oral, cuja vacina continha lactoalbumina. Em 2014, no Brasil,  algumas crianças com ALV apresentaram reações anafiláticas após vacinação com tríplice viral de origem indiana a qual utilizou lactoalbumina hidrolizada. A conduta, na época, foi realizar uma triagem individual pré-administração da vacina e, se a criança apresentasse história positiva para ALV, a vacinação deveria ser postergada ou efetuada utilizando-se vacina de outro laboratório produtor.

Embora não se encontrem na literatura recomendações específicas em relação à vacinação de pacientes com alergia ao leite de vaca (ALV), considera-se prudente, sempre que possível, identificar as vacinas que possam conter algum componente derivado do leite e contraindicá-las aos pacientes com ALV, preferindo outras sem este componente proteico. 
 

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